13.3.12

inalcançável

A pessoa vai embora. É simples: Você não deu conta, ela não deu conta, a vida não deu conta! Entre idas e vindas, só restou aquele olhar fechado de quem acabou de doer. Olhar de quem diz: “juro que tentei”. Olhar de quem sabe que não importa quantas voltas dê, precisa se encontrar no momento exato ao seu. Nas mesmas condições perfeitas de temperatura e falta de ar.
Algo ficou calado no peito
Tatuado na pele
Quem vai embora dessa forma, fica te olhando de longe, meio de lado, só tentando sentir algum sorriso nos momentos de fraqueza.
Quem vai embora dessa forma, não vai como qualquer um. Não se acha, não se compra, não se empresta. Segue aparecendo e sumindo por alguma necessidade latente que é capaz de suprir na gente.
“E só alcançamos até onde nosso braço chega, e só vemos até onde chega o nosso olhar.” 

24.2.12

to be.

me pergunto se alguém acredita num espamo da verdade momentaneamente dita. na espontaneidade que poetiza diante do desespero da vida. eu era, eu fui, eu sou. serei enternamente tola se persistir descansar nessa zona de conforto. acreditar que conjugar o verbo pelo tempo, me tira do epicentro, tão pouco me traz contentamento. digo a sete ventos, que não me importo mais com os antigos acontecimentos. transito pelo presente convencida da existência de um futuro que me permita SER.

10.2.12

Beija-Flor

Eu escuto o barulho do vento cada vez que você passa. E nada precisa ser feito para ter você comigo, você simplesmente está. Eu me entregava a todas aquelas orações pedindo a deus para ter você de volta na minha vida, sem perceber que eu nunca te perdi. Com você eu aprendi o que é silêncio, quando disse que não bastava orar para falar com deus, que também era preciso meditar para ouvi-lo. Foi conversando com você que eu me apaixonei por um beija-flor, “ele consegue bater asas oitenta vezes por segundo, isso não é incrível?”, e eu arregalava os olhos, já pensando em como o tempo pode ser relativo... “o coração de um beija-flor, chega a bater duas mil vezes por minuto, isso não é incrível?”, e eu calado, imaginando o quanto a gente se apaixona pouco, quase podendo ouvir o seu coração bater acelerado... “sendo a menor e mais leve ave do mundo, ele consegue voar a sessenta quilômetros por hora, pra trás, pra cima, parando no ar e dando cambalhotas, isso não é incrível?”. Eu continuava te olhando, suando frio, paralisado, sem saber exatamente o que dizer, e você sorriu, desceu as escadas e sumiu... Eu passo a semana inteira me preparado para cada vez que você volta. Chego a ensaiar no espelho tudo o que eu quero te dizer e acabo não dizendo nada. Você sempre toma conta da situação, me conta uma ou duas lorotas, bagunça minha cabeça e vai embora. E todas essas suas chegadas e partidas me ensinou a ter paciência com todo o resto, até o dia em que, finalmente, enroscou seu dedo mindinho no meu, como nos velhos tempos, e me deixou sentir de novo aquele choque elétrico da cabeça aos pés... Meu deus, e como você me deixava tonto. Eu não sabia se aguentava as suas palavras, a sua presença e o seu toque ao mesmo tempo, tinha que ser uma coisa de cada vez. Eu precisava me manter um pouco afastado para conseguir respirar e te dizer que você não precisa mais me procurar, nem viver sete vidas para me encontrar. Você me transformou em uma pessoa capaz de fazer você ficar. Não sou um beija-flor, mas eu sinto que dei a volta no tempo de uma maneira tão rápida, só pra ter você comigo. E eu não quero mais te ver indo embora, descendo as escadas sozinha daquele jeito... Fica comigo pra sempre?

P.S.: Blog aberto novamente. Peço perdão por ter fechado, foi um momento egoísta.

25.1.12

iludida

É bonito isso de se entregar em cada esquina. Mas aqui não é pra sempre. É um estímulo, um pedaço do caminho, que eu acho importante passar. O que eu sinto por aquele outro é fardo meu, expectativa minha, e só cabe a mim mesma alimentar isso ou não.
O silencio gritante agora faz sentido:
Compartilho das inquietudes, dos desassossegos. Do sentir a dor alheia estampada nos olhos.
“Mas a gente ama quem a gente encontra, eterna iludida, você nem encontra quem você ama.”
E aí eu acordei no meio da noite e isso ficou na minha cabeça, martelando:
A Raposa estava errada!

27.12.11

Não estou lá

Às vezes eu tenho espasmos de presente, mas a minha cabeça está totalmente no futuro. O passado não me pertence mais, nunca penso nele. São fragmentos que as vezes tocam como uma caixinha de música, só coisinhas simples, saudadinha que dá e passa. O presente que eu estou agora é o futuro que eu quis, o futuro que eu escolhi, e isso é bom. Sou aquela que sempre olha no espelho e pensa: Não, ainda não, mas falta pouco. Sim, agora sim, era disso que eu estava falando, era aqui que eu queria estar, era isso que eu queria fazer, era essa quem eu queria ser. Tive um ano tão cheio de mudanças que quem não esteve comigo, me perdeu. Eu não vou ficar dando palestra da minha vida pra ninguém e a minha ausência vai permanecer em todos os lugares se você não estiver realmente comigo. A fama é algo que todos querem abraçar, mas eu estou sempre indo embora antes do sucesso, ou do fracasso. Eu não fico pra dar continuidade em coisas banais. O fato de eu pular para outros caminhos não quer dizer que eu esteja fugindo, significa que estou sempre tentando, sempre procurando, sempre indo de encontro ao que me faz bem. Eu posso ter fechado algumas portas, mas você nem tentou me pedir a chave. Sabe, eu tenho chaves de tantos lugares incríveis que só eu tenho acesso, e eu simplesmente viajo para esses lugarzinhos e tenho espasmos de alegria, de amor, de paz... É tanto sentimento bom que me dá vontade de sair distribuindo chaves de graça pra tanta gente que não quer ou não sabe como receber. E eu, eu me sinto protegida de tal forma que, por mais que puxem meu tapete e eu dê mil surtos por dia, "a minha alma está armada e apontada pra cara do sossego" ou algo assim parecido. Porque, ao mesmo tempo que eu estou brigando, a pessoa está entendendo tudo errado e rindo da minha cara, sabendo que eu vou fazer as pazes em cinco minutos.

"Alma feliz", alguém disse (...)
 

Olha, eu vou te contar um segredo: eu tenho um amor impossível. Tão impossível, que eu terei que nascer de novo, atingir o Nirvana ou, sei lá... Viver umas sete vidas para encontrá-lo. Sabe como? Não, você não sabe, 
ninguém pode saber.
 

Feliz 2012!

15.12.11

delírio.

fuja da loucura e finja ser lúcido
finja lucidez e afasta-te da verdade
a tua loucura inventará mentiras
e a tua lucidez não te questionará
seguirá em paz, envolvida de luxo, ainda que torto
cheia de razão, além das aparências
passos retos, postura ereta, elegantemente vestida
engana-se!
inseguranças ou fantasias?
a tua loucura dói demais
a tua loucura não enxerga a vida
vê apenas morte
nas crianças, nas flores, manoel de barros, amantes!
argh!
vai acabar numa sala de espera
deitará tua cabeça cansada
num colo alheio que desconheces
piorou!
tu sabes nada do amor
rei que sempre foi, escravo que ainda és
nada entre nós!
ora, sabes ainda poucas coisas
faltará presença
e perecerá a essência
porque todos virão mas não chegarão
porque aqueles que chegam não ficam
porque daqueles que ficam, raramente estão
e fingirão presença
argh!
e tu que finges ser lúcido
causará tua ausência
não estará presente nem em ti mesmo
jamais ao lado de outros
não, nada entre nós!
nem todo ato é fato, mas,
fingindo ou não fingindo
encontrarás a loucura
sendo louco ou sendo lúcido
seguirá até o fim
e com a VERDADE no peito
conseguirá voltar de lá.

3.12.11

Instantes que fogem

- Ela parecia agora, frágil e indefesa, pela forma como ele a convidou para os seus braços. Era um contato intimo sem duvida, a qual ele se deixou levar por uma química apaixonante, enlevado pelo aroma inebriante do afrodisíaco natural dela. No entanto, a jovem se desvencilhou com ousadia e partiu novamente para o beiral. Ele arregalou os olhos com a atitude estranha dela...

- Ela dava milhões de voltas e acabava sempre lá. Sabendo que não ia haver outra chance igual aquela, num dia igual aquele, numa vida igual aquela, nas mesmas condições perfeitas de temperatura e falta de ar. E depois que acabou ela pensou se não seria melhor que nunca tivesse acontecido. Era sempre a mesma história incompleta a cada novo passo que se dava, algo que só ela sabia carregar. Precisou continuar sorrindo como se não estivesse lá.


*E ninguém mais sabia definir o amor, porque quando é amor não se sabe mais como dizer, só descobre quando é tarde demais pra saber...

O nome perdido

Eu tinha um conto interessante sobre alguém. Sobre um jeito paradoxo de ser. Sobre um pensamento que às vezes gritava e permanecia mudo.
Era um texto vago, cheio de remendos, cheio de solidão, sobre alguém que eu ainda não sei direito, ou não defino. Quiçá, não existe esse texto escrito para alguém. Seria trazê-lo para o concreto. E com ele tudo fica no mundo das idéias, do subjetivo não-palpável. Nesse mundo onírico onde vivem os poetas.

Eu tinha um conto interessante sobre alguém que é muito mais artista do que eu jamais vou ser.

2.12.11

#sexta

escrevi um bilhete suicida
me distraí
janela aberta
vento
fim.

21.11.11

coração vadio.

- será que ele vai me esperar cinco anos?
- quer minha opinião?
- sim
- tem muita gente sozinha no mundo...
"e você nem viu nada
você nem viu o amor.
.."

5.11.11

educação

a educação não salva a tua mente atrofiada. não salva nem tua mente pseudo-culta. a educação, meu caro, não levanta as tuas pernas enfermas, rígidas por falta de caminhadas. teus ombros empoeirados. teu cérebro limitado à própria vida, carente de um sonho que não aconteceu e nem irá acontecer. é tarde, muito tarde, meu caro. tua cabeça está desmiolada por equívocos, decepções, lamúrias. de quando teu coração ainda tinha esperança e mesmo assim alcançou coisa alguma, além de um canto mofado mal decorado bem no meio do nada. dias reduzidos a uma economia de arroz com feijão pontualmente às dezenove horas. pão com café pontualmente ás sete horas semelhantes as outras sete horas. dia de sábado igual ao domingo exatamente como de segunda-feira. repetição patética do que poderia ter feito mas não fez. a educação, meu caro, não é a salvação. ou se tem inteligência ou se tem burrice. e tudo é uma coisa só, inclusive a tua ignorância. tal condição vem antes do grau de estudo. tua enciclopédia te deixa mais burro do que ameba. e tua ignorância, meu caro, não é sinônimo de superioridade ou êxito. a ignorância mais destacada vem daqueles que permanecem sempre no mesmo lugar. a educação, minha cara, não te salva destas roupas de mal gosto. a educação não te poupa do ridículo. das passarelas onde desfila teus fracassos e brinda em copos de plástico a tua pobreza, a tua boca repleta de dentes amarelos estampando miséria. a educação, minha cara, não justifica a tua opinião formada da opinião alheia. não encurta distâncias para trazer teus irmãos, teus amigos, teus amores. a educação não te ensina a conviver com a solidão, não te faz ser especial, não faz do teu coração algo único. não te trará a inocência de volta, a inocência daquela última noite de paixão foi embora, e te deixou contando ilusões, perdida, sem ter o que fazer, sem tempo para carinhos, sem olho no olho, sem boca com boca, sem suor com suor, sem gozo com gozo. a educação, meu caro, não te ajuda a encontrar o amor ou o sentido da existência, ainda que procures tal coisa, não te ajuda a ver além, não te abrirá portas nem janelas. o teu café requentado de domingo à noite é mais bem-vindo do que alguém que apenas te usa. um amigo que te empurra e joga em algum lugar, feito brinquedo, não quero mais. porque no céu e no inferno somos iguais, mas o céu é para poucos e o inferno é para todos. teus olhos fechados e braços cruzados denunciam tua falta de fé, e tua falta de fé não deixará teus olhos verem o que acontece dentro de outros olhos. e tu sofres porque existe o outro. porque "João ama Teresa que ama Raimundo que ama Maria que ama Joaquim que ama Lili que não ama ninguém." (...)

12.10.11

ciranda.

Ô equilibrista, tu muda a si mesma para se situar. Que quando tem algo errado com o lugar em que está, não é da sua conta. Sacode toda a porcaria da sua vida até encontrar o seu lugar. E nunca cai. Está sempre sã levando tombos de amor. Que quanto mais alto você estiver, mais leve vai estar. A energia do chão é pesada demais para meditar, equilibrista. Que se a lua não vem até você, você vai até ela do jeito mais sofrido que puder alcançar. Que a terra quando gira, te faz estar no lugar errado. Que se ficar muito tempo parada vai ser impossível se levantar carregando tanto lixo nas costas. Ô equilibrista. Que eu não posso mudar a sua cabeça, mas eu mudo a minha para te acompanhar. Que se eu ficar com a minha cabeça de sempre, a gente vai se estranhar. Que quando você solta a minha mão, o mundo gira pro lado certo. E tem gente que não tem responsabilidade, equilibrista. Que eu não sei do instante de quem está comigo, mas eu sei do instante de onde estou e vou embora. Fico só diminuindo dentro desse mundo cheio de coisa, equilibrista. Girando nessa eterna ciranda. Eu só queria sair do corpo. Tu já saiu do corpo? Eu já. E logo estou todo errado procurado a sua mão. Que o sol que está aí querendo chover é o mesmo sol que está fazendo um espetáculo de arco-íris aqui em Brasília. O céu fica chamando e eu quase alcanço, sabia? Alcanço até Minas Gerais. 'você tinha que estar aqui' e 'chora, cavaquinho, chora'. De novo na mesa de bar. De novo no mesmo lugar. De novo querendo voltar...

15.9.11

do contra.

Sou toda Bamba
não há Nara longe
nem verso que rime pouco.
mas no ritmo desse samba,
rosa que te quero bem!
tenho noites com sol.

" Saudade fez um samba, a culpa é sua o samba é meu."

6.9.11

soluços.

as palavras têm me feito cócegas, e por mais que eu não dê moral a elas, estão chegando até mim de todos os jeitos, por todos os lados e todos os dias. cartas, email's, bilhetes, telegramas, sms. veja você, escreveram poesia no meu caderno sem que eu perceba. me perco nas páginas de um livro que eu já li três vezes. resenhando, degustando, relembrando. como se eu precisasse encontrar alguma coisa, algum sinal. como se eu tivesse que derrubar um muro que alguém ergueu. alguém que fechou todas as portas, trancou todas as janelas, tampou todos os buracos. nada. nem uma fresta ficou aberta pra mim. é um soluço que sempre vem antes de um susto. um bilhete embaixo da porta me avisando que estou trancada dentro de casa. levaram minhas chaves. levaram minha memória, levaram pedaços de mim que eu quero de volta. fui deixando de ser. deixando estar, estando. eu já fui enganada, processada e tatuada, e ainda estou aqui de pé na sua frente. e você tem que ficar aí do outro lado, me vendo e tendo gastrite. eu não vou embora, eu não vou desistir. eu vou seguir acreditando que enquanto eu estiver por perto vou te fazer crescer, assim como eu, mesmo afastada, estou crescendo também. por mais que a minha cabeça repita todos os dias: "vou ficar bem longe desse muro, esse muro é grande demais, esse muro me deixa nervosa!". aqui estou. não é preciso palavras para se fazer presente, mas é preciso presença para se fazer palavras. e tudo o mais é presente em mim. me sacode, me derruba, me faz dançar. eu não posso nem pensar em ficar parada que alguma coisa sempre vai acontecer comigo. nem meditar eu posso, porque eu sou capaz de ir até a via-láctea e voltar de lá apavorada sem saber onde estou. eu vejo coisas e pessoas virando a esquina tão rápido  que  eu não posso mais alcançar.

"Um soluço pode matar uma pessoa, já dizia o equilibrista."

12.7.11

esquinas.


Este blog silenciou.