a educação não salva a tua mente atrofiada. não salva nem tua mente pseudo-culta. a educação, meu caro, não levanta as tuas pernas enfermas, rígidas por falta de caminhadas. teus ombros empoeirados. teu cérebro limitado à própria vida, carente de um sonho que não aconteceu e nem irá acontecer. é tarde, muito tarde, meu caro. tua cabeça está desmiolada por equívocos, decepções, lamúrias. de quando teu coração ainda tinha esperança e mesmo assim alcançou coisa alguma, além de um canto mofado mal decorado bem no meio do nada. dias reduzidos a uma economia de arroz com feijão pontualmente às dezenove horas. pão com café pontualmente ás sete horas semelhantes as outras sete horas. dia de sábado igual ao domingo exatamente como de segunda-feira. repetição patética do que poderia ter feito mas não fez. a educação, meu caro, não é a salvação. ou se tem inteligência ou se tem burrice. e tudo é uma coisa só, inclusive a tua ignorância. tal condição vem antes do grau de estudo. tua enciclopédia te deixa mais burro do que ameba. e tua ignorância, meu caro, não é sinônimo de superioridade ou êxito. a ignorância mais destacada vem daqueles que permanecem sempre no mesmo lugar. a educação, minha cara, não te salva destas roupas de mal gosto. a educação não te poupa do ridículo. das passarelas onde desfila teus fracassos e brinda em copos de plástico a tua pobreza, a tua boca repleta de dentes amarelos estampando miséria. a educação, minha cara, não justifica a tua opinião formada da opinião alheia. não encurta distâncias para trazer teus irmãos, teus amigos, teus amores. a educação não te ensina a conviver com a solidão, não te faz ser especial, não faz do teu coração algo único. não te trará a inocência de volta, a inocência daquela última noite de paixão foi embora, e te deixou contando ilusões, perdida, sem ter o que fazer, sem tempo para carinhos, sem olho no olho, sem boca com boca, sem suor com suor, sem gozo com gozo. a educação, meu caro, não te ajuda a encontrar o amor ou o sentido da existência, ainda que procures tal coisa, não te ajuda a ver além, não te abrirá portas nem janelas. o teu café requentado de domingo à noite é mais bem-vindo do que alguém que apenas te usa. um amigo que te empurra e joga em algum lugar, feito brinquedo, não quero mais. porque no céu e no inferno somos iguais, mas o céu é para poucos e o inferno é para todos. teus olhos fechados e braços cruzados denunciam tua falta de fé, e tua falta de fé não deixará teus olhos verem o que acontece dentro de outros olhos. e tu sofres porque existe o outro. porque "João ama Teresa que ama Raimundo que ama Maria que ama Joaquim que ama Lili que não ama ninguém." (...)