terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ela reza

É um perigo quando ela reza.

Sem choro nem vela. Ela reza para dentro lutando contra Deus e o diabo dentro dela. E isso doía. Morria tantas vezes, envelhecia dez anos em um dia. Depois era como se tivesse nascido de novo. E era tão estranho. As pessoas tentavam correr na direção dela, mas não havia mais direção, queriam sentir seu cheiro, mas o perfume era outro. E na hora do amém, só restava as palavras não ditas, os abraços não dados, os desejos não realizados. O nome dela? Para quê você quer saber? Ela vai abrir a porta da tua vida, entrar e sair. Não há tempo para se conhecer, e ela nunca vai ser a tua meio amiga nem o teu quase amor. Dê-lhe o nome que quiser. Ela vai sentar e conversar, vai falar alto se pisarem no seu calo, vai se comportar quando achar que deve e se entregar quando estiver a fim. É assim que funciona, ninguém ensinou a fazer diferente. Os anjos não existem e ela não é um deles. Ela não vai ficar abraçada contigo até que você pegue no sono, porque depois não terá ninguém para fazer o mesmo por ela. Você pode até gostar dela, mas não se apegue, porque daqui a alguns meses ela vai querer ser igual a todas as mulheres que você já conheceu: os mesmos defeitos, as mesmas necessidades de se sentir superior. Seu coração vai durar só uma noite, depois disso ele está proibido de se envolver. E você? Você não vai ter paciência, você vai abandoná-la no primeiro “ai” e nem sequer vai querer saber sobre o que tanto ela reza.

Apague a luz que ainda é cedo, vai ficar tudo bem.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pessoas Furtadas

Satisfaço-me com pessoas furtadas.
A vida inteira elas vêm, eu vou. Nós vamos.
Depois as devolvo, embora não queiram mais voltar. Acho que gostam de mim e então olham-me com aquele olhar fechado de quem acaba de doer.
E aí vou sozinha como quem vai voltar e elas ficam. Como sempre estiveram.
Pessoas furtadas são as mais difíceis de se combater a falta.
Então, nos momentos de fraqueza fico a apreciá-las de longe escondendo o rosto de lado. Só tentando sentir algum sorriso.
Essas pessoas não são como as outras, as dadas, as compradas, as recebidas embrulhadas em papel de presente.

Se assim são tomadas, o são por alguma necessidade latente. Deficiências, necessidades em mim elas são capazes de suprir. Mas não posso ficar com elas. E sigo vivendo momentaneamente aparecendo e sumindo, como se essa fosse uma eterna necessidade. Como se vidas fossem portos.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sou sexy

- Amiga, eu era cem por cento sexy, adicionei você e fiquei sessenta. Explique!

- Que foi?

- Você me tirou todo o erotismo orkutiano!!

- Como assim? Nem tenho Orkut.

- Tem sim. E depois que eu te adicionei, meus s2 pararam de ser cheios.

- Os seus o quê?

- Puta que pariu, os corações que são sexy!!!

- Da onde, merda???

- Do Orkut!!!!!!

- Eu to boiando...

- É lá no perfil, onde diz que você é legal, sexy, confiável...

- Puuuta que pariu, de novo isso?

- Eu não gosto de ser nem pouco confiável, nem pouco sexy...

- Baixa a bola... Você já foi mais humilde.

- Escuta aqui garota, enche eu de coração agora mesmo!!

- Vou tentar...

- ...

- Esqueci a senha do meu Orkut...

- Faz outro! Porque eu já botei em tu todinha.

- Botou o que?

- A estrela, os dados, os corações, os sorrisos...

- Hihuuuuu eu sou noventa por cento sexy!!!

- Unf...

- E to vendo que você é mais legal que tudo... Muito meiguinha... Haha!

- Sou nada, eu sou gostosa!

- O Orkut diz que não.

- Ele não sabe de nada, ta?!


* E foi assim que eu me descobri sexy...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sem vício

Eu não quero ver
você cuspindo ódio
Eu não quero ver
Você fumando ópio pra sarar a dor
Eu não quero ver
Você chorar veneno
Não quero beber
O teu café pequeno
Eu não quero isso
Seja lá o que isso for

(Ópio - Zeca Baleiro)

Hoje eu vou me achar sem ter você.
Vou ficar em casa sozinha sentada no chão abraçada com a minha loucura.
E não vou te procurar em nenhum canto, em nenhum CD, em nenhuma foto.
Vou ficar acordada, desintoxicada de todos os vícios, em todos os poros, por todos os lados.
Hoje eu vou aprender, sozinha, a sofrer com todas as minhas tragédias entaladas na garganta.
Sem pronunciar uma palavra e sem esperar que você venha.
Vou pegar aquele velho caderninho, escrever minhas dores.
Sem saber a letra, sem saber as cores, sem saber o tom.
E encontrarei logo uma maneira de ver algo bonito nisso.
Pois eu me curo muito rápido sozinha.
Sem choro, sem pranto sem vício.

Hoje eu vou me achar sem ter você.
Porque nada nem ninguém em nossa vida, merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta.

sábado, 12 de setembro de 2009

Desencanto

Não queria escrever, e foi vivendo sem escrever nada.
Sua vida não cabia em palavras, não cabia em um livro. Não cabia.
Tanto sentimento no peito, aquele nervoso miudinho, aquela vontade incontrolável que não sabia explicar.
Encantam as pessoas, desencantam as situações... E só resta um pouquinho de humildade para perceber que nada vale nada.
Levou então o resto dessa ilusão, como cantou Chico Buarque.
E fez versos como quem chora, de desalento, de desencanto, feito Manuel Bandeira.

* Voltarei.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Durma

"Quando eu tentava falar, parecia que ninguem me escutava, então eu rezava pra fugir dali..."
Estou com mania de dormir pra esquecer
Eu que só durmo no escuro, liguei o abajur
Eu que detesto tv, dormi com ela ligada
Eu que sempre fecho a janela, me senti sufocada
Eu que detestava chá, tomei dois copos antes de dormir
Meu travesseiro não é mais o mesmo, dormi de almofada
Nos pés da cama...
Eu que escrevia no pc, dormi em cima do caderno
Acordei no meio da noite, pra escovar os dentes

"Não há de ser nada, pois eu sei que a madrugada acaba quando a lua se põe.."
Tão engraçado, sentir saudade de quem mora perto
Seus amigos quando precisam falar, em vez de ir na sua casa, chamam no msn
E dormem... dormem pra esquecer.. dormem pra não lembrar.. dormem pra não sentir saudade
Não vai dar tempo de abraçar, de despedir, de dizer adeus...

"Seria mais fácil fazer como todo mundo faz, mas nós dançamos no silêncio... Mas nós vibramos em outra frequência..."
Sempre julgados e condenados, até quando ficamos calados, até quando não fazemos nada.
Será chamado de egoista por não compartilhar suas ideáis e sua vida com os outros

"Meus heróis morreram de overdose."
Overdose de dormir e acordar, overdose de não fazer nada
Overdose de viver uma vida filha da puta.

"Durma medo meu."

terça-feira, 28 de julho de 2009

Oi

Só vim dizer que hoje eu cansei de machismo e extremismo.
Não consigo ver algo de bom em um homem que se diz superior ás mulheres.
Não consigo ver algo de bom em alguém que nunca muda de opinião, nunca tem dúvidas, nunca questiona e segue acreditando que só existe um ponto de vista.
E quando junta o machista com o extremista, piorou. A opinião dele é a certa, a musica dele é a melhor, o time dele é o melhor e aí eu não aguento. Perto de mim não.

Só vim dizer que eu fico, eu vou embora, eu volto, e o mundo permanece igual, indiferente a mim.
E se alguém percebe que eu fico, eu vou embora ou eu volto?
Ando perdida em tanto lugar que eu não consigo me decidir em qual deles eu estou. Mas agora percebi que não importa o lugar, eu estou sempre me perdendo nas pessoas. E sempre tem uma por quem vale a pena me perder: Aquelas que não desistem de me encontrar...


Tchau.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

...

"Sabe, acho que ninguém vai entender. Ou se entender não vai aprovar. Existe em nossa época um paradigma que diz: enquanto você me der carinho e cuidar de mim, eu vou amar você. Então, eu troco o meu amor por um punhado de boas ações. Isso a gente aprende desde a infância: se você for um bom menino, eu vou lhe dar um chocolate. Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo do jeito que for, mas pelo que faz em troca desse amor. E quando alguém, por alguma razão muito íntima, corre para bem longe de você? A maioria das pessoas aperta um botão de desliga-amor, acionado pelo medo e sentimentos de abandono, e corre em direção aos braços mais quentinhos. E a história se repete: enquanto você fizer coisas por mim ou for assim eu vou amar você e ficar ao seu lado porque eu tenho de me amar em primeiro lugar. Mas que espécie de amor é esse? Na minha opinião, é um amor que não serve nem a si mesmo e nem ao outro.
Eu também tenho medo, dragões aterrorizantes que atacam de quando em quando, mas eu não acredito em nada disso. Quando eu saí de uma importante depressão, eu disse a mim mesma que o mundo no qual eu acreditava deveria existir em algum lugar do planeta. Nem se fosse apenas dentro de mim... Mesmo se ele não existisse em canto algum, se eu, pelo menos, pudesse construi-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas em que eu acredito, o mundo seria sim bonito e doce, o mundo seria cheio de amor, e eu nunca mais ficaria doente. E, nesse mundo, ninguém precisa trocar amor por coisa alguma porque ele brota sozinho entre os dedos da mão e se alimenta do respirar, do contemplar o céu, do fechar os olhos na ventania e abrir os braços antes da chuva. Nesse mundo, as pessoas nunca se abandonam. Elas nunca vão embora porque a gente não foi um bom menino. Ou porque a gente ficou com os braços tão fraquinhos que não consegue mais abraçar e estar perto. Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, qualquer coisa para ocupar o tempo, um banco de almofadas coloridas, e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banco do nosso amor, do nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a não sei quantos anos, ele pode simplesmente voltar, sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas.
No mundo de cá, as relações se dão na superfície. Eu fico sobre uma pedra no rio e, enquanto você estiver na outra, saudável, amoroso e alto-astral, nós nos amamos. Se você afundar, eu não mergulho para te dar a mão, eu pulo para outra pedra e começo outra relação superficial. Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aí todo o mistério da vida, a intenção mais genuína de um abraço. Encontrar alguém para encostar a ponta dos dedos no fundo do rio - é o máximo de encontro que pode existir, não mais que isso, nem mesmo no sexo. Encostar a ponta dos dedos no fundo do rio. E isso não é nada fácil, porque existem os dragões do abandono querendo, a todo instante, abocanhar os nossos braços e o nosso juízo. Mas se eu não atravessar isso agora, a minha escrita será uma grande mentira, as minhas histórias serão todas mentiras, o meu livrinho será uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo é a lealdade, feito um Sancho Pança atrás do seu louco Dom Quixote. É a certeza de existir um lugar, em algum canto do mundo, onde a gente é acolhido por um grande amigo. É por isso que eu tenho de ir. E porque eu não quero passar a minha existência pulando de pedra em pedra, tomando atalhos de relações humanas. Eu vou mergulhar com o meu amigo, ainda que eu tenha de ficar em silêncio, a cem metros de distância. Eu e o meu boneco de infância, porque no meu mundo a gente não abandona sequer os bonecos que foram nossos amigos um dia.

Agora em silêncio, tentando ensinar esses dragões a nadar."

Rita Apoena

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Fora do conceito

"Quando você se apaixonar, você vai ver que a vida não é como pensa que é."
Mas eu já me apaixonei tantas vezes, e nem por isso mudei meus conceitos. Se caso eu tenha mudado alguma coisa nem foi por paixão, afinal de contas, as minhas escolhas não dependem só das minhas paixões.

"Mas casar deve ser tuuuudo de bom."
Sei não, acho que o casamento é justamente o que estraga o amor. Não confio nesses casais que dizem que a vida é um mar de rosas.

"Essa Mallu Magalhães é uma retardada."
Quem é essa? Ah... não acho nada. Na verdade nem tenho opinião formada. Por que eu teria que ter? Só acho ela meio lerda, mas deixa ela fazer as músicas dela em paz. Não gosto nem desgosto. Esse ódio todo que as pessoas tem dela não é normal.

"O Latino é um corno, essa mulher dele dá em cima de todos na Fazenda."
Que fazenda?

"Você não vai tomar vacina de gripe? Quer morrer?"
Nem a pau, não confio nesse sistema que fica testando vacina nas pessoas.

"Não precisa mais fazer jornalismo, não precisa de diploma."
Nunca pensei em diploma. Nunca pensei em fazer faculdade como garantia de emprego. Só quero aprender e ser minha própria chefe...

E pra quê eu to dando minha opinião? Tenho medo até de rir de alguma piada e todos rirem também. Tenho medo de concordar com isso e discordar daquilo e as pessoas fazerem o mesmo. Isso me irrita. Será que é tão dificil terem opinião própria? E por que a gente é assim, criando conceito para tudo que restou? Eu queria juntar tudo em uma coisa só. Sentimentos, momentos, pessoas... cansei de ficar separando as coisas em boas ou ruins, certas ou erradas. Tenho pena desse pessoal que passa a vida carregando um peso nas costas, lutando para sobreviver, mentindo para ser bem recebido. E nem percebem que não precisam sobreviver, só precisam viver, fazer o que se gosta. Mas não, eles não fazem o que gostam, só fazem o que todo mundo faz.

"Feliz dia do Rock!!"
Pra você também. (Pra mim isso não faz nenhuma diferença, mas é melhor ficar calada.)

Volto a repetir, eu não tenho que ficar lembrando as pessoas das atitudes delas, não tenho que ficar apontando o que é certo ou errado. Eu sei que o mundo está um caos e vai piorar, só não enxerga quem não quer, mas eu não vou ficar escrevendo sobre essas coisas só porque dá ibope, só porque é o que gostam de ler, eu não quero nem pensar. Deixa que julguem, deixa que falem, deixa que pensem. Só vou abrir a minha boca se quiserem mesmo minha opinião.
Não vou sair por aí opinando sobre Mallu Magalhães.. Gripe Suína.. Turma do Pânico... Tenho mais o que fazer.

Já ouviu falar de um cara que sobreviveu sete vezes durante a vida, por ter sido atingido por raios? No final, sabe de quê ele morreu?
De amor.

E viva Michael Jackson! (apesar de dizerem que ele sempre foi um boneco...)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Realidade

Parecia cena de filme.
Ele a teria amado para sempre, mas não amou porque ela não deixou, afinal, estavam em uma boate e beijos de boates não costumam ter futuro. Ela nunca iria acreditar que no primeiro momento ele a amou, afinal, as pessoas só vão em boates para se divertir.
E teriam que se conhecer onde, então? Talvez na padaria ou na lojinha de artesanatos. Mas não, ela estava lá, no lugar mais improvável de se conhecer alguém.
O que ele estava fazendo ali? Não sabia. Segurou a mão dela e disse que a amava. Não iria perdê-la tão fácil assim.
Quando você diz que ama deve tomar cuidado para não magoar, deve ser capaz de oferecer segurança na relação. E ir até o fim, enfrentando o que vier. E ele sabia que seria capaz disso. Mas mesmo assim ela não entendia, não acreditava. Andou com ele só até a metade do caminho. Ofereceu meios beijos, meios abraços, meias verdades e meias mentiras e assim se amaram. Ele com a certeza de que estava tudo bem e ela com a certeza que aquilo não ia durar. Pediu a ela mais do que sonhos, e ela chorou por não poder atendê-lo. E porque não podia? Porquê não se deve esperar nada. Sonhos não precisam te trazer nada, apenas te levar, seja como for.
Ele queria a verdade, mas não suportaria. Continuaria amando ela, mas precisaria de algo mais verdadeiro. E isso é uma coisa que não se deve pedir a alguém que você ama. Deve amar do jeito que é, até que o tempo prove o contrário.

* E as mãos se soltaram, e ela não sabia o que dizer. É a realidade, e de realidade ela não entendia...